quarta-feira, 4 de abril de 2012

CARA DE PAU É POUCO

Millôr Fernandes disse certa ocasião: “Os corruptos são encontrados em várias partes do mundo, quase todas no Brasil”. De fato tinha razão, retrata de forma inequivoca a realidade verificada cotidianamente no noticiário nacional. A corrupção está presente nos tres poderes da República, nas repartições, na Polícia, nas instituições, em todos os escalões dos Governos, sejam Federais, Estaduais ou Municipais. É um cancer com metástase difícil de ser extirpado. Estamos em ano eleitoral e lógico os salvadores da Pátria se farão presentes como candidatos elegendo o combate a corrupção como principal bandeira, e cabe relembrar nessa hora a genialidade de Millôr quando escreveu: “Acabar com a corrupção é o objetivo supremo de quem ainda não chegou ao poder”. Mas como separar o joio do trigo quando um Senador da República considerado o campeão da ética, o mais contundente em relação ao moralismo, aquele que criticava da tribuna todos os malfeitos, aquele que pedia sem clemência a cabeça daqueles que locupletavam-se as custas do cargo, considerado como reserva moraldo Senado, figura relevante no contexto político, agora também flagrado em nebulosas transações com um conhecido contraventor a quem servia como lobista e sócio. Demóstenes você escorregou na sargeta ! Ulisses Guimarães sempre disse : “Não é o poder que corrompe o homem. O homem é quem corrompe o poder.” Demóstenes como Senador você foi um grande Ator, digno de um Oscar, mas esqueceu-se do ensinamento deixado por Abrahan Lincoln: “Você pode enganar algumas pessoas todo o tempo. Você pode também enganar todas as pessoas algum tempo. mas você não pode enganar todas as pessoas todo o tempo.” Demóstenes, ou seria mais apropriado tratá-lo apenas de DEMO, seria você a personificação conteporânea da história escrita por Roberto Louis Stevenson, em 1886, “Dr.Jekyll and Mr.Hyde ( O Médico e o Monstro) que descreve a vida dupla de um habitante de Edimburgo, na Escócia, chamado William Brodie: de dia ele era um respeitado marceneiro, à noite, roubava as casas dos moradores da cidade. Ou quem sabe, assim como seu colega de Senado Cyro Miranda, também sente pena daqueles que são obrigados a viver com os parcos vencimentos de um senador e tratou de , valendo-se do cargo, reforçar sua conta bancária mandando as favas a ética, a moral e a dignidade ?

Um comentário:

  1. Mauro Pires de Amorim.
    Para se ter ética é preciso se ter critérios identificatórios e tais critérios, são transmitidos aos cidadãos enquanto indivíduos pela sociedade, inclusive pelo Estado, enquanto ente integrado e participativo na sociedade.
    Em nosso país, o Estado sempre foi usado para atender aos interesses do grupo, panelinha ou caçarolinha que dele se ocupa, gerando privilégios que são concedidos e sustentados pelo restante da sociedade, via sistema tributário e que vem a ser o alimentador dos recursos orçamentários. Portanto, não temos critérios valorativos, identificatórios e consensuais em termos éticos em nossa sociedade, algo que, dada a diferença de realidade sócio-econômica, já é bem complicado em se obter em função de nosso atraso histórico-social em relação aos direitos plenos, básicos e pétreos da cidadania, garantidos na Constituição de 1988, que propôs-se a ser a constituição inauguradora do Estado Democrático de Direitos, por meio da Nova República.
    Com isso, trata-se de uma questão de falta de vontade política por parte dos exercentes do poder estatal em promoverem a consecução da história, já que o papel do Estado enquanto ente participativo de nossa sociedade é esse. Estamos historicamente estagnados, enquanto os anos passam, as décadas se superam e o século já se renovou, assim como as gerações de cidadãos.
    O único consenso que nossa sociedade possuí, seja qual for a classe sócio-econômica, é que a imensa maioria de nossos partidos políticos e políticos, somente almejam e lutam entre sí para participarem do exercício do poder estatal, visando usa-lo em benefício e causa própria, bem como do grupo que representam. Muitos cidadãos e cidadãs de diferentes classes sócio-econômicas, almejam um cargo político- partidário dentro do Estado brasileiro, para locupletarem-se do exercício do poder estatal da mesma forma, sendo isso, a afirmação do anti-éticismo do exercício do poder enquanto conceito dominante em relação ao papel do Estado. Algo que, ironicamente gaguejando, chamo de é...titica.
    Acredito no Estado Democrático de Direitos, pois igualmente acredito que a democracia seja o melhor sistema político e de governo, muito embora em nosso país, ainda não exista de fato, apenas de direito formal, expressa somente por meio do voto direto, via sulfrágio universal. Para termos verdeiramente democracia, é preciso termos a ética verdeiramente internalizada em termos de mentalidade em nossa sociedade e não apenas da boca para fora, por meio de discursos convenientes e enganadores. Precisamos lutar para que os exercentes do poder estatal, verdadeiramente, de forma eficiente e eficaz, façam valer nossa contribuição tributária, sutentáculo do orçamento e iniciem o reparo do atraso histórico-social na realização plena, básica e pétrea dos direitos da cidadania, por estes serem estratégicos, essenciais e garantidores de que teremos no futuro, gerações de cidadãos mais plenos e verdeiramente mais evoluídos em termos de caráter e consciência ética do que seus antepassados.
    Sinceros desejos de felicidades e boas energias.

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